Quando mais novo exercitava com frequência a fé. No momento não sei me classificar, mas há marcas que me chamam de volta. Exercitava a fé nas pequenas coisas: ao perder uma chave, quando perdido em algum lugar e na ansiedade de decisões irrelevantes. Talvez nesta esfera chamada "espiritual" nem exista diferença entre fé para pequenas ou grandes situações.
Dois dias atrás precisei exercitar a fé novamente, diante da alteração de humor da esposa, em que ela ficou com um pé na loucura e outro na razão. Na verdade acho que nem tinha pé mais na razão. Cheguei em casa, depois de um dia calmo, consegui ficar sereno no meio do transtorno que esposa tinha promovido. Tomei um banho, no qual fiquei ganhando tempo sob a água quente, pensando em como encarar a "realidade" que eu sublimava na mente. Reuni todos na sala e consegui fazer a fera deitar a cabeça no meu colo. Então eu disse: ... "não sei mais o que fazer a não ser orar ... vamos orar". Depois lemos uma história bíblica em linguagem infantil. Um sentimento de serenidade me dominou desde o momento que entrei em casa, apesar do turbilhão de idéias que passavam pela mente, as quais consegui organizar e fazer o que fiz. O resultado foi o mesmo de quando eu vivia mais pela fé ... fui atendido ... humor da esposa se acalmou como quando o Cristo acalmou uma tempestade dando ordem ao vento. Mas antes mesmo da resposta atendida, a fé já tinha feito seu trabalho em mim, pois eu já estava em estado de espírito como se aquilo não estivesse acontecendo. Não vou contar os detalhes porque aparentaria ser ela uma esposa e uma mãe cruel, e isto não é verdade. Na verdade, devido ao transtorno bipolar, ela funciona como duas pessoas distintas e entre uma e outra surge eventualmente uma menina assustada. Não importava o resultado daquela oração, não me senti sozinho e estava em paz para qualquer desfecho. Acho que eu precisava tanto quanto ela daquela oração.
